Agora que todos vamos ser expulsos deste paraíso que esgotamos e conspurcámos até à insustentabilidade, as notícias vão e vêm, sem cessar, não me dão descanso. Os desastres «naturais» sucedem-se e surpreendem-nos até à indiferença. Tenho acordado de má catadura, como se dormisse com um gorro sombrio que me filtra a luz da manhã. Se calhar apenas porque leio Martin Amis antes de me deitar e, mal grado a persistência do seu humor particular, é de muito mau agoiro que anuncie a morte geral e sincronizada da humanidade. A anedota dos dinossauros que se tornaram tão grandes e gordos que deixaram de querer reproduzir-se é uma frescura que deixa um amargo na boca. Vencedores entediados, a fábula assume semelhante fim para a Humanidade. Nos povos que não inventaram rebuscados prémios para estimular a progénie a taxa de reprodução cai de forma dramática o que prefigura um suicídio lento e indolor.